A Nintendo só faz jogos pra crianças sim! E isso não é ruim

Meu primeiro console da Nintendo foi o 3DS, e o segundo, o WiiU. Lembro da sensação do “unboxing” do WiiU. Quando eu abri a caixa do meu PS4, tinha lá uma máquina, um aparelho potente. Já com o WiiU tive a sensação de desempacotar um brinquedo novo. Me senti meio criança, eu confesso.

Dizem que um dos pontos fortes da Nintendo, que faz com que a empresa, “rabugenta” e “carrancuda”, consiga arrastar uma legião de fãs é a aposta na nostalgia da infância. Bem, eu, por exemplo, nunca tive um console da Nintendo em minha infância e adolescência. Comecei minha vida “gamer” com a Sega. A Sega era o que os pré-adolescentes/adolescentes dos anos 90 queriam: se afastar de tudo o que remetesse à infância. Lembro das discussões de colégio, onde nós, seguistas, sempre ganhávamos a disputa de qual console era o mais “cool”. Na minha adolescência consegui pôr as mãos em um Playstation, videogame de “cabá homi”! O Nintendo 64, com aqueles jogos coloridinhos, me causava repulsa. Como a Super Game Power conseguia considerar o Mario 64 melhor jogo do ano? Legend of Zelda Ocarina of Time melhor que Final Fantasy VII? Como isso? Salvar princesa que nada, o negócio era matar zumbi em Resident Evil!

Em 2014, quando já estava com meus 30 anos (3.0, óleo diesel, eles diziam), peguei um Xbox 360. Comecei a experimentar clássicos como Batman Arkham Asylum, Bioshock, Dead Rising, Halo, etc. Mas eu estava entediado. E a porta de entrada para o mundo da Nintendo foi justamente um jogo que não era da Nintendo – Tomb Raider (ótimo jogo, diga-se de passagem). Na época eu estava injuriado, desempregado, com problemas a porra toda. Ou seja, eu estava puto! Foi no primeiro “save point”, aquela fogueira que a Lara Croft senta, vê os vídeos na câmera e começa a chorar que eu fui contaminado pelo “vírus nintendista”. Eu pensei, porra, já tenho problemas de mais, ainda tenho que aguentar essa mina chorando na minha hora de lazer! Preciso jogar algo bobo, sem história, sem complicação. Preciso pular em tartarugas! Foi então corri para emuladores e comecei a jogar Super Mario World, 24 anos depois de seu lançamento.

Essa é a sensação que o Switch me traz quando estou com ele nas mãos. Ele parece um brinquedo, algo divertido, não um aparelho eletrônico de última geração. Desde seu design, da sensação de destacar os controles, de tirar e colocar no Dock – tudo remete a diversão. E não é essa a filosofia de empresa, no fim das contas? Reggie Fils-Aimé disse em 2015 que o papel dos jogos da Nintendo não é contar uma boa história. A Nintendo não se leva a sério, e isso é divertido. No Super Mario Odyssey, rola um show na cidade quando você derrota o chefão. Para subir ao palco, você passa por uma escadaria. Quando sobe essa escadaria, os gráficos mudam para os mesmos usados nos jogos do Mario no Nintendinho. Você começa a jogar um Mario pixelado com gráficos de 8bits. Não faz o menor sentido em termos de narrativa, mas é impossível conter o sorriso no rosto.
A Nintendo sempre tentou criar uma ideia lúdica com seus produtos, e errou muito, várias vezes. Mas ela nunca desistiu dessa filosofia, e parece que agora ela finalmente acertou. Talvez seja esse um dos motivos que mais atraem fãs para a casa do bigodudo. Talvez seja esse o motivo que faça com que, na era da resolução 4k, 60ps, realidade virtual, o switch venda horrores. Afinal, com tantas tretas, frustrações, estresse, decepções, etc, etc, etc, qual o problema em se sentir criança por no mínimo uma horinha?

Renan, 34 anos com corpinho de 20. O cara mais bonito do site. Jogador veterano, amante de games Old School e Final Fantasy, trabalho nas horas vagas para poder comprar jogos.

Renan Melo

Renan, 34 anos com corpinho de 20. O cara mais bonito do site. Jogador veterano, amante de games Old School e Final Fantasy, trabalho nas horas vagas para poder comprar jogos.

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