Jogador nº 1 – Uma Sessão da Tarde moderna | Crítica

Fazia tempo que não via um filme divertido assim

Jogador nº 1 (ou Ready Player One) foi um filme que passou um tanto fora do radar para mim. Principalmente porque achei que seria um filme cheio de referências e clima anos 80 só para estar na moda e ganhar dinheiro com nostalgia, que hoje em dia é o que mais vende.

Acabei indo ver o filme despretensiosamente, e tive uma ótima surpresa, eu estava errado. Logo no começo já é apresentada uma estética que, só o cenário, já conta uma história gigantesca. O filme começa em uma “favela” chamada de “pilha” (comunidade pobre em que as casas são velhos motorhomes empilhados) no ano de 2045, onde todos vivem em função de um jogo, o Oasis. Tal jogo funciona como um escape da realidade que a humanidade passou, onde muitos sofrem com desemprego e fome.

O Oasis é um ambiente virtual em VR com roupas para controle e tato e esteira para controlar o movimento com o movimento do seu corpo. Dentro do Oasis existem várias coisas a serem feitas, como por exemplo, surfar, apostar corridas, dançar e principalmente, batalhar. As batalhas são intensas ao extremo, pois, se a pessoa morrer no jogo, ela perde absolutamente tudo que veio conquistando em todo seu tempo de jogo. Seja dinheiro, experiência, itens, etc. Ou seja, todo o tempo gasto dentro dele seria perdido. O que é um grande problema, pois nessa sociedade, a moeda virtual vale mais que a moeda corrente na sociedade.

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A história toda gira em torno de Wade Watts (Ty Sheridan), um órfão de 17 anos que passa a maior parte do seu dia no Oasis, como qualquer outra pessoa da sociedade.  Wade tem como objetivo encontrar as três chaves para um segredo que o criador do jogo James Halliday (Mark Rylance) deixou como “easter egg” (segredos escondidos nos jogos), e quem encontrasse esse segredo receberia a quantia de 500 trilhões de dólares e o total controle do Oasis.

James Halliday por sua vez é a caricatura do nerd raiz. Com muitos problemas de socialização, se fecha no mundo de videogames e quase nunca tem voz de poder, ele cria o Oasis como forma de ajudar pessoas com a mesma dificuldade que ele. James tinha uma peculiaridade, ele era apaixonado por cultura pop. Filmes, séries, músicas, games e tudo mais que era popular dos anos 80 em diante.

Wade encontra várias pessoas em sua jornada, como Aech (Lena Waithe), Art3mis (Olivia Cooke), Daito (Win Morisaki) e Shoto (Philip Zhao) e um inimigo principal Nolan Sorrento (Ben Mendelsohn) presidente da IOI (Innovative Online Industries), empresa que deseja monetizar a plataforma por meio de anúncios no HUD (tela com informações) do jogador a força e conquistar todas as três chaves para obter acesso a enorme quantia de dinheiro proposta.

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Em certa parte do filme, onde há uma cena um tanto dramática, a Art3mis se revela para o Wade, apresentando assim uma resistência a IOI e todos os seus crimes. Mostrando para ele que não são apenas os dois que estão nessa jornada.

Jogador nº 1 transita muito bem entre o mundo real e o virtual, com um bom aproveitamento dos atores e das cenas em CGI (computadorizadas) não causando estranheza do espectador quando ocorre essas mudanças. Todas as cenas em CGI não ficam com ar de artificial, pois, compramos a ideia de estarmos dentro de um jogo logo no início do filme.  E, por mais que o filme se venda como uma chuva de referências, todas elas fazem sentido dentro do mundo proposto por Spielberg.

23 anos, publiciotário, gamer desde os 4 anos de idade e consumidor voraz de cultura pop. Youtube e Netflix são minhas TVs.

Miguel Moreira

23 anos, publiciotário, gamer desde os 4 anos de idade e consumidor voraz de cultura pop. Youtube e Netflix são minhas TVs.

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