Jogos japoneses! – O retorno triunfal ao trono.

Lá, para meados dos anos 90, não fazia muito sentido para nós, garotinhos, a diferença entre a indústria de games japonesa e a ocidental. Afinal de contas, os aparelhos eram criados no Japão e a maioria dos grandes títulos vinham de lá. Os títulos ocidentais se resumiam a jogos de esporte ou adaptações de filmes e animações americanas. Isso pelo menos nos consoles caseiros, já que a criatividade ocidental tinha campo vasto nos disquetes do PC. Mas nos consoles de mesa, o que mandava eram os japas. Enquanto nos títulos dessas bandas não encontrávamos muita coisa nova, a não ser ports do Mickey ou do Jurassic Park, da terra do sol nascente que conhecemos o Mega Man, o Sonic, o Final Fantasy. Era interessante como eles criavam franquias e marcas, e para nós fazia muito sentido. Os japas nunca tiveram uma Holywood, então os jogos, animes e mangas eram onde as histórias deviam ser contadas.

Eu mesmo não me lembrava dessa dualidade entre RPG oriental e ocidental; para mim Final Fantasy, Breath of Fire, Alundra e Diablo eram tudo a mesma coisa. Porém a coisa muda de figura na geração do PS2, quando estúdios ocidentais começam a ganhar mais visibilidade e dinheiro do que os japas. Os estouros dos FPS (First Person Shootter) e do famigerado GTA já eram indicativos de que o trono seria rapidamente tomado. Mas o mundo ainda olhava atento para Final Fantasy e Resident Evil. Até o fatídico dia em que as grandes franquias japas começaram a fraquejar.

 

Eu, apaixonado por Castlevania Symphony of Night, Mega Man X4 e 8, Final Fantasy VII, custei a acreditar nas versões que eu encontrei no Playstation 2. Oras bolas! O que está acontecendo? Pensava que talvez os japas estivessem atônitos com os recentes sucessos dos Call of Duties e GTAs da vida e estivessem tentando reinventar a fórmula – para pior! Eu ficava decepcionando com cada novo título da franquia, enquanto que fechava os olhos para os títulos ocidentais (amor platônico da garotada que entrava agora para o mundo dos games). Aos poucos a indústria japa ia entrando pelo ralo enquanto a garotada só queria saber do “Bom da Guerra”. A cartada final foi o Final Fantasy XIII. Uma das franquias mais respeitadas de todos os tempos, ‘console seller” na época do PSOne/2 tinha levado a franquia (e toda a indústria) de títulos japoneses por água abaixo. Enquanto isso, títulos como Bioshock, Mass Effect, Battlefield, Uncharted e tantos outros tinha fincado a bandeira Yanke no mundo dos games.

Era triste ver minhas franquias queridas sendo esquecidas pelas produtoras (Mais um Mega Man Capcom, please!). A ascensão de jogos ocidentais confundia minha cabeça. Foi nesse período que me afastei dos vídeo games. Os especialistas dizem que o mercado de games cai a cada ano no Japão por causa dos smartphones, enquanto que cresce no ocidente pela fusão de características narrativas comuns ao cinema. Sendo verdade, ou não, o fato é que a geração do Playstation 3 foi quase que totalmente dominada por títulos ocidentais. Sem falar na família Microsoft, que teve sua grande contribuição para esse cenário. Muitos vaticinavam o fim do mercado japonês de games como conhecíamos.

 

Mas es que surge uma esperança! Lembro muito bem do ano de 2015, quando lia artigos sobre o novo Final Fantasy. Iniciado como uma parte de uma suposta trilogia (Fabula Cristalys), depois cancelado – o Final Fantasy Versus XIII iria retornar como XV. E o novo diretor, Hajime Tabata, dizia em alto e bom som – se falharmos, toda indústria de JRPG irá junto com nós. Sim, pode até parecer catastrófico, mas na época, não existia muita empolgação com os JRPG. Eles, antes dominantes e triunfantes, agora haviam se tornado produtos de nicho. Os RPGs ocidentais, ou WRPGs haviam tomado os holofotes com títulos exuberantes como Skyrim e Fallout, redefinindo inclusive o próprio conceito de RPG. Uma vez, em uma conversa com amigos de faculdade, sobre o motivo de não terem gostado de FFXIII, algo interessante entrou na discussão. “Esses jogos japoneses são sobre como a força da amizade vence todos os obstáculos” – Diziam eles. “É uma fórmula batida”. Talvez eles estivessem certos. Talvez o foco em estereótipos de animes estivesse desgastado os JRPG. Talvez fosse só mesmo a necessidade de acompanhar o sucesso dos ocidentais (FFVII Dirge of Cerberus é um…Shotter!?)

Seja como for, eu estava ansioso com o resultado do FFXV. E graças aos deuses deu tudo certo! O jogo foi um sucesso, e sua qualidade (apesar de controversa) foi bem visível. O JRPG estava de volta, não apenas reinventando-se, mas sendo humilde para absorver fórmulas ocidentais e chamar atenção novamente desse público. E como profetizado por Tabata, ele trouxe à tona, novamente, os holofotes para esse gênero que andava tão moribundo. De lá pra cá tivemos um enxurrada de bons títulos, além dos ports recentes de vários jogos da saga Dragon Quest e os remasters dos FFs do PS2. Esses últimos anos nos presentearam com importantes títulos como Ni No Kuni 2 e Persona 5, que tiveram os holofotes assim como lançamentos tradicionais do ocidente. Parece que os japas voltaram com tudo nesta (e quem sabe na próxima geração)! Tivemos até o anuncio de um novo Mega Man numerado. Que a terra do sol nascente seja bem vinda novamente no lugar a que sempre pertenceu – a ala VIP. Boa noite a todos.

Renan, 34 anos com corpinho de 20. O cara mais bonito do site. Jogador veterano, amante de games Old School e Final Fantasy, trabalho nas horas vagas para poder comprar jogos.

Renan Melo

Renan, 34 anos com corpinho de 20. O cara mais bonito do site. Jogador veterano, amante de games Old School e Final Fantasy, trabalho nas horas vagas para poder comprar jogos.

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