Jogos single, um mau negócio?

Estariam os jogos single player com os dias contados? Estaria esse gênero fadado a estar cada vez menos presente nas vidas dos Gamers atuais e futuros? Pretendo ir a fundo nesse assunto a fim de tentar presumir se estas perguntas têm ou não algum fundamento.

Mas daí vocês me perguntam, “peraí, God of War foi lançado há pouco e tem feito tanto sucesso de vendas, que fez o chefão da Microsoft ponderar sobre um maior investimento no segmento”, sim eu sei e concordo. Mas apesar desse barulho todo que jogos com grande nome como God of War têm, o retorno financeiro dele é muito pequeno perto das minas de dinheiro que são os multiplayer online.

O panorama atual dos games inevitavelmente nos leva a ter esse tipo de pensamento, não é preciso ir longe para lembrar das políticas absurdas tomadas pela EA no jogo Star Wars Battlefront 2, quem não esteve em Júpiter nos últimos meses deve se lembrar do que estou falando, quando a empresa adotou o sistema “Pay To Win”, que se trata de quem gasta mais dinheiro com o jogo, consequentemente possui mais vantagens no mesmo. Toquei nesse assunto porque apesar de não ter dado certo essa abordagem, é algo que de fato pode render muito dinheiro para as produtoras e desenvolvedoras. Em jogos para dispositivos mobile, essa prática é bem comum, porém com uma diferença para o caso do Star Wars, os jogos de celular são gratuitos, conhecidos por Free To Play, por conta disso todo mundo pode jogar sem gastar, contudo, itens, melhoras, poderes, armas e tudo mais, são pagos, mas na maioria das vezes os valores não são absurdos, dificilmente o jogador se sente lesado por isso.

Gastos extras em jogos são comuns, a prática de DLC é algo que já faz parte do cotidiano do gamer, porém algo que tem crescido bastante é o comercio de micro transações, estes pequenos gastos tem sido a mina de ouro dos produtores, que vão de simples itens cosméticos como roupinhas a personagens para se desbloquear (ah saudade de destravar isso tudo jogando). E em jogos multiplayer online a prática de micro transações possui um leque muito grande, como citado antes comprar itens que tornam seu personagem único, diferente dos demais é muito tentador.

Por conta de tudo isso, as empresas têm percebido que o comercio de jogos online é muito rentável, é quase como se a empresa vendesse o jogo, e mesmo depois de vender ainda continua recebendo, graças a micro transações. Fato este que dificilmente ocorre em jogos single, presenciei uma tentativa da Warner em incluir isso no recente jogo Sombras da Guerra, onde quem desembolsasse grana teria direito a um exército de Orcs muito melhores do que os agregados durante o jogo, porém como se trata de um jogo single, não senti a menor necessidade de gastar, joguei com o que tinha e mesmo assim consegui platinar.

Falando agora do lado dos jogos single, um fator que pode agravar uma minguante produção é o tempo e investimentos gastos no mesmo, bons jogos single possuem por natureza histórias envolventes que demandam muito trabalho, possuem game play refinado e em alguns casos únicos, fatores que muitas vezes encarecem os jogos, fatores que exigem um número grande de funcionários trabalhando para entregar e excelência. Jogos multiplayer embora claro, possuam cuidado na produção, dificilmente podem ser comparados ao esmero de jogos single, basta lembrar que jogos como FIFA, Call of Duty, Battlefield, são lançados anualmente, e em muitos casos com pouca ou nenhuma mudança inovadora de game play, porém com vendas sólidas e consequentemente com lucros garantidos. São franquias como estas que praticamente sustentam os atuais grandes consoles da geração.

Os jogos multiplayer estão tão em voga que no ano de 2016, seu representante foi eleito pelo famigerado e muitas vezes controverso (na opinião desse que vos escreve) Video Game Awards, vulgo VGA como o melhor jogo do ano. E no ano passado a versão beta de PUBG era cotado como um possível ganhador do prêmio máximo da noite.

Sou escancaradamente um jogador single, assino o serviço da minha plataforma para jogar online porque ainda jogo com muitos amigos, contudo a percentagem de horas dedicadas a games single são muito maiores, torço muito para que a resposta da pergunta no começo do artigo seja “não, os jogos single não estão com os dias contados”, talvez de fato não estejam, ainda possuem muito público, principalmente franquias consagradas como Zelda, Uncharted, mas o encorajamento de produtores tem tudo para ser menor a cada ano que passa para esse tipo de jogo, visto o retorno que podem ou não ter. Depois desta breve resenha, fica uma reflexão, você como produtor ou desenvolvedor, investiria em qual segmento no desenvolvimento de jogos?

Gustavo Balboa, artista marcial, farmacêutico e muito geek, amante de HQs, livros, filmes, séries e principalmente games. Franquia favorita: Street Fighter

Gustavo Balboa

Gustavo Balboa, artista marcial, farmacêutico e muito geek, amante de HQs, livros, filmes, séries e principalmente games. Franquia favorita: Street Fighter

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