Mas que papelão, ein dona Nintendo!

O que, afinal, a Nintendo pretende com o Labo?

Lembro quando a Nintendo anunciou em seu twitter uma novidade para o Switch em termos de jogalidade. Eu pensei: lá vem! Goste ou não da Nintendo (principalmente de suas geringonças), uma coisa não podemos negar – ela é a empresa que, no ramo de vídeo games, mais investe em inovação. Apesar de que, nem sempre ela se dá bem. Mesmo assim Nintendo nunca desiste dessa mania de querer fazer diferente.

Tudo começou na época do Game Cube. Algo aconteceu naquela geração que fez com que a Nintendo desistisse de competir com a Sony e a Microsoft por gráficos. Alguns dizem que ela iria perder, então se retirou do jogo e criou suas próprias regras: o Nintendo Wii. Vendeu horrores! Mas eu não acredito que ela perderia uma competição pelo “equipamento mais potente”. Na verdade, ela tem caixa e know-how suficiente para lançar um Xbox One X da vida. Então, por que ela quer sempre dar uma de patinho feio, “diferentona”? A resposta é simples: ela quer ganhar dinheiro.

No dia 17, quando foi feito o anúncio surpresa da novidade Nintendo, eu estava cético. Eu esperava algo com controle de movimentos, e eu odeio “motion controller”. Não consegui finalizar o Zelda Skyward Swords por que encheu o saco ficar mexendo aqueles “pauzinhos” para lá e para cá. Para mim, vídeo game é uma atividade sedentária. Quanto menos movimentos, melhor. Juro que o anúncio do brinquedo de papelão me deixou com a pulga atrás da orelha. Mas que porra é essa, pensei. O que essa empresa quer lançando esses trecos estranhos de papelão? A resposta é, mais uma vez, ganhar dinheiro! Muito dinheiro. Apesar do Labo não ter muito “a ver” com o universo gamer, principalmente para o público mais hard core que o Switch vinha conquistando, do ponto de vista de marketing, faz todo o sentido. E vou explicar o porquê.

Primeiro, o Nintendo Labo é um brinquedo, voltado para crianças e com um forte apelo para atividades criativas. Montar brinquedos com papelão, seguindo instruções e com a ajuda dos pais, é um forte convite a boa propaganda! Imagine como os pedagogos, analistas, terapeutas, médicos, etc. devem estar elogiando esse produto. Os EUA estão lotados de publicações de saúde e educação para crianças, e a classe média americana gasta valores e tempo considerável com essas publicações. Imagine a boa publicidade gerada para a Nintendo graças a essa ideia! Quando o vício em vídeo game figura como distúrbio pela OMS, e a atividade é constantemente atacada como incentivadora de violência, etc. temos um produto que incentiva a curiosidade e criatividade de crianças. Mas feito de papelão? Como assim? Sim, papelão. A maioria desses profissionais são adultos ou pessoas de idade avançada, que vêem com maus olhos essa relação da infância com a tecnologia. Lembra daquela tendência dos velhotes de dizer “no meu tempo era melhor”? Mais publicidade positiva.

Por último, esse produto é extremamente lucrativo para a Nintendo! As primeiras unidades (uma caixa com diversos kits montáveis e software e uma caixa com apenas o kit de robô e software) estão sendo vendidas por U$ 60 a U$ 80 dólares. Fora o software, de baixo custo, quanto que você acha que a Nintendo gasta com papelão? A lucratividade deve girar em torno de 50 a 70% por produto, e isso é muita coisa. Aliada a publicidade positiva gerada em torno da ideia, como explicado acima, temos uma mina de ouro. Mas esses brinquedos são feitos de papelão, isso é muito frágil, vai rasgar fácil! Está ai nosso último ponto! O que você acha que vai acontecer quando o pirralho gringo rasgar (sem querer) seu robô ou piano de papelão? Seu pai vai comprar outro kit de U$ 60 dólares. Provavelmente a Nintendo lançara kits mais baratos, sem o software, para serem vendidos de forma avulsa. Mas mesmo assim ela ainda vai ganhar muito dinheiro nessa brincadeira.

Resumindo, o Nintendo Labo é uma excelente ideia, que tem pouco vínculo com o nosso amado mundo gamer. Porém, é algo lucrativo, algo que alguém deveria ter pensado antes e que só a Nintendo mesmo conseguiria trazer aos holofotes, sem vergonha e sem receio. Afinal, ela se orgulha de sempre ser a “diferentona” do mundo dos games, o que acaba lhe dando liberdade para esse tipo de iniciativa. Da minha parte, não penso em comprar e não tive o mínimo de interesse ou empolgação com a ideia. Gosto dos jogos da Nintendo, mas sou meio conservador quando o assunto é “novos modos de jogar”. Para mim, uma das melhores coisas desse anuncio foi a recepção da internet. A internet nunca perdoa, e os memes estão muito engraçados. Mais um ponto para a publicidade!

  

Renan, 34 anos com corpinho de 20. O cara mais bonito do site. Jogador veterano, amante de games Old School e Final Fantasy, trabalho nas horas vagas para poder comprar jogos.

Renan Melo

Renan, 34 anos com corpinho de 20. O cara mais bonito do site. Jogador veterano, amante de games Old School e Final Fantasy, trabalho nas horas vagas para poder comprar jogos.

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