O maior jogo de luta de todos.

Os games de luta sempre tiveram uma importância maior para mim, sou aficionado pelas artes marciais, pratico e leio muito a respeito, e por ser um gamer, sempre me identifiquei muito pelo gênero, embora nunca tenha conseguido de fato uma excelência no cenário competitivo, então acho válido vir aqui e fazer um artigo comentando um pouco sobre como Street Fighter 2 foi importante para a formação gamer da galera que era criança ou adolescente no começo dos anos noventa.

Um jogo que no ano passado completou trinta anos merece um destaque, foi o responsável por me fazer optar pelo console de 16-bits da Nintendo, quando antes disso, eu era apaixonado pelo Master System que ganhei dos meus pais, logo o caminho natural seria migrar para o Mega Drive. Mas não foi isso que aconteceu, e direi o porquê.

Quando Street Fighter 2 foi lançado, este que vos fala era muito jovem, mal alcançava os fliperamas, me contentava ficar assistindo os garotos mais velhos jogando, ficava em êxtase com a empolgação deles enquanto jogavam, os xingamentos, as discussões, as comemorações, tudo isso me deixava ainda mais com vontade de jogar, mas claro, por ser pequeno, não havia a menor possibilidade, tanto fisicamente por não alcançar ou porque meus pais não permitiam.

Contudo no ano de 1992 Street Fighter 2 chegaria finalmente a um sintema de videogame caseiro, e o primeiro a receber foi o Super Nintendo. E quando eu soube que poderia jogar algo que até então eu só era capaz de assistir, corri para pedir ao meu pai, ele então me deu de aniversário não só o Super Nintendo, como também o cartucho do jogo Street Fighter 2, porém havia um detalhe na época consoles fabricados nas Américas eram incompatíveis com jogos oriundos do japão, resultado, meu Super Nintendo era americano mas o cartucho do Street Fighter 2 era japonês, imaginem minha frustração ao tentar colocar o cartucho e ele não entrar por conta de travas físicas que haviam no console, meu pai se frustrou também, mas fez de tudo para lixar as travas, então o jogo poderia ser inserido no console. Curioso que só depois de jogar muito Street Fighter 2 que então fui conhecer o Super Mario.

Voltando agora um pouco para a história, os jogos de luta, antes de Street Fighter 2, eram na maioria das vezes para um jogador, com objetivos que se resumiam em avançar por oponentes controlados pela CPU até chegar ao último chefe, quase não tínhamos opções de comandos ou até mesmo de personagens para escolher, nessa época os jogos mais populares eram os de nave em que ficávamos atirando em tudo que se movia na tela.

Street Fighter 2 veio com uma proposta totalmente diferente de tudo, eramos colocados para escolher entre oito personagens, estes que eram únicos, com muito carisma, e adição de uma personagem feminina, que mesmo não sendo algo inédito nos games do gênero a personagem Chun-Li foi quem popularizou as personagens femininas em jogos de luta, e claro o fato que poderíamos enfrentar outra pessoa, algo até então muito pouco explorado nos games que era o fator competitivo, as casas de arcades ficavam lotadas, era um feito novo, jogadores querendo um superar o outro, aprender aquele golpe especial, aliás o famoso uso da “meia lua” que é usado até hoje em diversos jogos, surgiu no pioneiro Street Fighter 2.

Outra boa sacada de SF2 foi atrelar os personagens a um país, fortalecendo uma relação mais próxima com os jogadores, mesmo que no caso dos brasileiros a representação tenha causado uma certa polêmica, mesmo que hoje o personagem brasileiro Blanka esteja no coração da maioria dos gamers, lá no começo dos anos noventa, muitos se questionavam “onde os japoneses estão com a cabeça pra pensar que aqui no Brasil tem monstro verde que solta choque?”.

Os cenários que representavam cada país possuíam uma trilha sonora única, com músicas que ficam até hoje na cabeça de quem alguma vez já jogou, e que são remasterizadas até hoje nas versões mais recentes dos jogos da franquia, o cuidado e a composição das músicas é algo que também era sem precedentes nos jogos do gênero.

Os personagens possuíam motivações, algumas vezes nos identificamos com os personagens, alguns queriam vingança, outros reconhecimento e alguns como o (meu preferido) Ryu só queriam se testar, ir em busca do mais forte, o que para mim é a essência da arte marcial. Essas características atribuídas aos personagens permitiu que surgisse um “universo expandido” da franquia, como o saudoso anime que passava nas manhas do SBT no meio dos anos noventa, histórias em quadrinhos e etc.

Desde então muitos jogos de luta excelentes surgiram no decorrer das gerações, a própria franquia de evoluiu, chegando ao ano de 2016 na sua quinta versão com uma grande pegada para o segmento competitivo, se tornando o maior jogo de luta recente para quem curte mesmo competir, mas é inegável a importância de Street Fighter 2 no cenário dos jogos de luta. E para todos que apreciam esse gênero, Street Fighter 2 sempre vai ter um lugar especial no coração.

Gustavo Balboa, artista marcial, farmacêutico e muito geek, amante de HQs, livros, filmes, séries e principalmente games. Franquia favorita: Street Fighter

Gustavo Balboa

Gustavo Balboa, artista marcial, farmacêutico e muito geek, amante de HQs, livros, filmes, séries e principalmente games. Franquia favorita: Street Fighter

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