O ruído poético de Hyper Light Drifter | Análise

Antiquado que sou, não posso ver algo pixelado que já saio clicando. Foi essa impulsividade que me levou à Hyper Light Drifter.

Hyper Light Drifter foi lançado em 2016 e desenvolvido pela Heart Machine em parceria com o programador Beau Blyth, responsável pelo título indie Samurai Gunn. O jogo chegou primeiramente na Steam financiado através de kickstarter e consequentemente na PSN e XBLA.

Não há como falar desta obra sem antes falar de seu criador: Alex Preston.  Alex, o dono da mente brilhante por trás do jogo, possui uma doença congênita no coração que o fez passar grande parte da vida hospitalizado por problemas digestivos e no sistema imunológico. Tantas batalhas pela vida serviram de inspiração para nomear o estúdio e dar base para a trama do game.

Ambientado em um cenário claramente inspirado nas animações Castle in the Sky e Nausicaa of the Valley of the Wind (obras do estúdio Ghibli), HLD é um RPG de ação 2D com mecânica ao estilo de Zelda, porém a ação ocorre de maneira mais frenética, exigindo que você utilize muita destreza para avançar e principalmente derrotar os chefões.

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O enredo dá margem para muitas interpretações devido aos diálogos praticamente não existirem. O que basicamente sabemos dessa história, é que você está no papel de Drifter, um guerreiro com uma espada de luz que é constantemente afetado por sintomas de algum tipo de doença terminal.

Ao longo da jornada você poderá aumentar as habilidades de dash, alcance das armas, bombas e seus pontos de vida.  Há puzzles e diversos lugares da qual você terá que retornar para dar continuidade após efetuar upgrades nas suas habilidades.  Os chefões são um show a parte! De uma maneira muito bem trabalhada e com belíssimos movimentos, são desafiadores de uma maneira que não te estressa, e sim faz com que você queira derrotar a todo custo.

Hyper Light Drifter foi uma grata surpresa, ainda mais depois que tomei conhecimento do processo de criação.  Depois de finalizar esse jogo e ler sobre os motivos pela qual Alex resolveu desenvolvê-lo, me lembrei de uma exposição que fui da artista Yayoi Kusama, que através de suas obras expõe seus sonhos e aflições causadas pela esquizofrenia. Sabendo disso tive a sensação de que a todo o momento estive exposto a um resquício dos problemas da doença que Alex enfrenta.

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O resultado de toda a experiência que vocês sentirão ao jogar é a materialização de um sonho que brotou da enfermidade de Alex. E talvez, assim como em mim, soe como um ruído poético dentro da sua cabeça e sirva de combustível para enfrentar condições adversas.

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Um velho ranzinza que mora num corpo jovem estragado. Oitentista/noventista crônico e adepto da low res. Pai babão, marido dedicado e cozinheiro estabanado quando dá na telha.

Vagner Oliveira

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