Ofertas de Mídia Digital, impulso insaciável

Toda terça feira você fica ouriçado, esperando dar 13h? Quando vê um post no facebook com os dizeres “promoção flash” “Deals with Gold” “Steam Sale” sua mão chega a tremer? Se você estiver na rua, gasta sua franquia do celular para ver “o que tem de bom?”. Seu amigo chama você no zap dizendo “viu o que tem na PSN?

Eu, como a maioria dos amantes de games, temos a mania de querer colecionar as coisas que gostamos (a.k.a jogos). Encartes, capinhas especiais, manual de instrução (ah, como eu amava os manuais!). Quantas vezes nos deparamos com algum anúncio de edição especial e nossos olhos saltam, brilhantes? Claro, muitas vezes (quase todas) não podemos comprar nada daquilo. Aquelas fotos de estantes de colecionadores de jogos antigos? Quantos de nós não gostaríamos de ser colecionadores profissionais? Sim, a mercadoria desperta um certo fetichismo, mas, felizmente ou infelizmente, essa lógica está com os dias contados! O futuro pertence a mídia digital.

Não vou me apegar as vantagens e ao contexto que fazem com que a mídia digital seja “melhor” que a mídia física, mesmo por que eu prefiro a mídia física. Ainda tenho meu apego a ter coisas, pegar em coisas (não levem no mal sentido), mas ultimamente meu pequeno armário hack não cabe mais nada. Meu apartamento tem 39m² e apenas um quarto. Para o cachorro abanar o rabo, precisa sair para a rua. Não tenho espaço, e muita gente também não tem. Lembro das conversas que tinha com o pessoal de TI de uma empresa que eu trabalhava em 2015, todos Master Race gamers. Não temos espaço. Mas a lista da Steam dos caras tinha mais de 200 jogos.

Outra vantagem que eu não queria me ater é a comodidade. Como é bom comprar um jogo e poder jogá-lo no mesmo dia, sem sair de casa, sem enfrentar transito, metrô, filas em lojas. Isso claro, para quem tem uma internet que comporte uma boa quantidade de downloads em pouco tempo. Não é a realidade de todo mundo. Para mim, inclusive, muito recentemente consegui mudar de cidade e agora tenho uma internet de 60 megas. A minha antiga era de 2 megas! Eis mais um motivo pelo qual estou adorando mídia digital.

Mas, afinal, a mídia digital realmente vai substituir a mídia física? A resposta é sim! E a justificativa não está na comodidade, praticidade e economia de espaço. A justificativa é que ela é extremamente lucrativa! Sim, apesar de nós, old gamers e saudosistas adorarmos as capinhas e encartes, a mídia digital pega a gente em outra fraqueza – o impulso.

Recentemente recebemos a notícia da polêmica da Game Pass da Microsoft, e da ameaça das lojas de boicotar a venda de jogos na prateleira. Para quem não sabe, Game Pass é uma assinatura mensal que permite a você acesso ilimitado a um catálogo específico de jogos no Xbox One. Não é streaming, são jogos para download. O valor da mensalidade é de 30 reais, o que dá R$ 360 em um ano. Levando em consideração que três jogos AAA pagam esse preço, o pacote teoricamente compensa. Mas quantos desses 100 jogos do catálogo você vai jogar? A mesma coisa acontece com meus amigos Master Race que possuem mais de 200 títulos na biblioteca da Steam. As Steam Sales são uma doença! Você acaba comprando até jogos que você não gosta, só por que pipocam na sua tela a preços de 20, 15, até 5 reais! Comprei os dois jogos antigos do The Witcher por menos de 15 reais e até agora nem toquei neles! Nem as DLCs do Witcher 3 eu comecei (também peguei as duas pela bagatela de R$ 30).

Está ai a grande lucratividade da mídia digital! Ela te faz comprar jogos, muitos jogos! Ontem mesmo eu comprei os dois primeiros jogos da saga Far Cry por R$ 30 (junto do Blood Dragon, é claro). Tudo isso só por que eu adorei o Far Cry 4! Quando vou jogá-los? Eu tenho o Far Cry 3 para Xbox One e PS3 e vou comprar o remaster do PS4, e nem sequer comecei o jogo!

Essas ofertas, aliadas a comodidade de ter o jogo em apenas alguns minutos, criam na gente um impulso insaciável. Afinal, pode ser que eu nunca mais veja esse jogo por esse preço não é? Pura ilusão, com um efeito poderoso! Essa semana está rolando a oferta EA na PSN, onde você encontra o Battlefield 1 por R$ 69 com todas as DLCS, ou o conjunto com o Titanfall 2 completo pelo mesmo preço! Olha que bagatela, um jogo que foi lançado seco por R$ 200 a poucos meses atrás! Tentador não é? Mas parece que as pessoas esquecem que o BF4 já foi vendido por R$ 20, e provavelmente o BF1 vai ser também.

As postagens nos grupos estão cheias de chamadas para aproveitar a grande promoção. Isso faz com que sempre estejamos gastando com jogos, que tenhamos nossas bibliotecas cheias de títulos não jogados. Agora imagine o tanto de dinheiro que as empresas fazem com isso. No PS4, você até pode amenizar esse sentimento de impulso colocando seus jogos em uma lista de desejo e esperando o preço baixar. Mas no Xbox você não consegue. Por que será, heim Microsoft? A sensação de nunca mais ter aquela oportunidade faz com que coloquemos a mão no bolso sem pensar! Ai, a gente abre um noticiário que diz que a Toys“R”Us nos EUA fechara 200 lojas físicas!

E aqui temos outra artimanha psicológica das mídias digitais que fazem com que sempre coloquemos a mão na carteira nas promoções: a gente esquece dos jogos que compramos! Sim. Quantas vezes você teve a sensação de não ter nada para jogar, mesmo estando com sua biblioteca da Steam lotada? Lembra daquele fetiche que falei lá no começo, das capinhas, dos encartes, da posse? Quando você olha sua estante vê alegre e orgulhoso sua coleção de games! Os digitais não! A não ser que você abra sua aba de biblioteca, você não vê tudo o que tem e acaba esquecendo de muitos jogos! Daí as “Sales” vem anunciando ofertas e a sensação que você tem é de necessidade por não ter jogos suficientes! Estranho não?

Mas afinal, onde você quer chegar com esse texto? Você é contra a mídia digital, e quer convocar pessoas a fazer a revolução? Não, amiguinhos. Esse texto é apenas um desabafo ao efeito que a oferta do Battlefield 1 causou em mim, e do quanto eu pensei sobre os mecanismos obscuros que fazem com que a mídia digital seja extremamente lucrativa para as empresas. Aliás, fica até uma pequena nota – uma empresa que deveria usar dos mesmos mecanismos e para nos fazer comprar mais e mais jogos, mas deixa a desejar: a Nintendo! Cadê as Sales, Nintendo?

A, sobre o Battlefield 1, acho que não vou pegar não. Vou acabar ficando com o Mass Effect Andromeda no Xbox One que está R$ 35 reais. Acabei de lembrar que tenho a trilogia inicial e nem comecei a jogar.

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Renan, 34 anos com corpinho de 20. O cara mais bonito do site. Jogador veterano, amante de games Old School e Final Fantasy, trabalho nas horas vagas para poder comprar jogos.

Renan Melo

Renan, 34 anos com corpinho de 20. O cara mais bonito do site. Jogador veterano, amante de games Old School e Final Fantasy, trabalho nas horas vagas para poder comprar jogos.

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