Um jogo quase perfeito!

No final do ano passado comprei o Persona 5 juntamente com o Final Fantasy XII Zodiac Age e encostei os dois. O Persona foi apenas uma curiosidade de algumas matérias que li, além de ter sido indicado para jogo do ano. Comecei o FFXII (que não terminei ainda) e o AC Origins. Porém a vontade de variar um pouco me levou a colocar o Persona no PS4 e foi amor incondicional e doentio! Um mês depois eu estava jogando o maravilhoso Persona 4 Golden. Confesso que minha curiosidade por jogos não possuí limite (as vezes financeiro rs). Hoje estou jogando os dois Personas, porém dou mais atenção ao Golden por jogar em portátil. Como tenho que competir pelo uso da televisão com a minha namorada (rs), Persona 4 Golden acabou se tornando uma escolha mais prática. Portanto, irei falar um pouco dele hoje.

O enredo de Persona 4

Persona 4 foi lançado em 2008 para o PlayStation 2 no Japão, e chegou nas terras ocidentais e em 2009. Apensar de ter tido o PS2, acabei deixando essa (e outras) grande chance passar. Em 2012 a versão Golden, com gráficos melhores e uma personagem extra, foi lançada para o Vita, e depois o jogo original foi disponibilizado na PSN para os donos do Playstation 3.

No jogo, o protagonista (você, jogador) desembarca na pacata cidadezinha de interior chamada Inaba, no Japão. Você deve passar exatamente um ano nessa cidade, já que seus pais te deixaram sob a tutela de um tio, por conta de compromissos profissionais. Acontece que assassinatos esquisitos tomam conta da paca cidadezinha assim que você chega. As vítimas são encontradas penduradas em postes de eletricidade e todos ficam em polvorosos. A polícia não consegue solucionar o mistérios e os habitantes passam a temer por suas vidas, já que um possível serial killer está a solta.

Durante uma conversa com seus amigos de escola, uma lenda urbana surge e desperta a curiosidade dos protagonistas. Nas noites chuvosas, exatamente a meia-noite, caso você olhe para sua TV, a imagem de sua futura alma gêmea aparecera. Como todo adolescente com seus hormônios a flor da pele, nosso protagonista paga para ver. O problema é que as pessoas que são mostradas na TV não são sua alma gêmea, mas sim a próxima vítima do serial killer. A esse fenômeno, o jogo dá o nome de “midnight channel”, ou canal da meia noite. Por uma brincadeira inocente em uma loja de conveniência você descobre que consegue entrar dentro da TV e chegar em um mundo sobrenatural onde as pessoas que aparecem no midnight channel são mortas. A partir daí o jogo de fato começa, com você e sua turma correndo contra o tempo para descobrir a próxima vítima, impedir seu assassinado e pegar o culpado pelas mortes!

Como o jogo funciona?

Para derrotar seus inimigos e encontrar o assassino, você se utiliza dos poderes de criaturas conhecidas como “Personas”, bem à lá Pokémon. Acontece que os Personas nada mais são do que manifestações de suas múltiplas personalidades. Segundo a teoria do psicólogo suíço Carl Jung, nós vestimos diversas mascaras, conhecidas como personas. Você no trabalho é uma pessoa, você com sua família e amigos, outra, e assim, sucessivamente. Essas mascaras servem para que possamos interagir com outras pessoas, ao mesmo tempo em que protegemos nosso verdadeiro “eu”. A partir dessa premissa que as criaturas Personas do jogo trabalham. Para que possamos liberar seus poderes precisamos aceitar a nós mesmo, nossos defeitos e lados mais obscuros. E é a partir da forma como nos relacionamos com os outros personagens do jogo que podemos deixar nossos Personas mais fortes e criar novos Personas.

A questão da interação

Em Persona 4 você pode interagir com quase todos os personagens da história. Mas a interação não é aquele simples apertar botão e ler caixa de diálogos. Os relacionamentos te dão opções de respostas, e cada resposta pode influenciar em como aquele personagem gosta de você ou te odeia. Quanto mais um personagem gostar de você, quanto mais tempo dedicar a ele, mais forte se tornam seus laços, o que te dá potencial de criar novos personas mais fortes e ganhar habilidades. A esse mecanismo, o jogo dá o nome de Social Link. Acontece que, você tem um tempo limitado durante o jogo, pois se demorar muito a próxima vítima será assassinada e o jogo dá “game over”. Ou seja, você tem que escolher quais personagens e como fará os Social Links. Acaba que, o jogo parece imitar a vida. Nosso tempo é limitado. Não podemos passar o tempo que gostaríamos com as pessoas, e temos que rebolar entre emprego, obrigações e vida afetiva. Isso acaba resultando em se afastar de velhos amigos, conhecer novas amizades, acabar sozinho. Como diz a música de abertura: estamos inseridos em uma complexidade de relacionamentos, porém a vida vai seguir com ou sem você.

O brilhantismo a imersão.

Graças a essa mecânica do Social Link, passamos a nos importar de forma mais ativa com os personagens do jogo, e isso aumenta nossa imersão. Quantas horas passei me preocupando mais com como agradar a Yukiko para ela se tornar minha namoradinha; como me senti mal depois de ser agressivo com o amigo de infância da Chie, ou quando prometi para o Yusuke que iria tirar a carta de motorista junto com ele para que possamos “azarar as garotas”. A cada diálogo e interação eu me preocupava, como se estivesse interagindo com uma pessoa real. Isso por que o resultado de suas escolhas não é tão previsível, e cada pessoa pode ter um resultado diferente. Assim, se você jogar, pode ser que sua namoradinha seja diferente da minha; que seu melhor amigo seja diferente também. Que você seja bom no time de basquete, enquanto que eu passei horas frequentando as aulas de música. As possibilidades são infinitas, mas seu tempo e limitado é você precisa fazer escolhas. E o jogo se torna viciante e imersivo pela sua curiosidade de saber como cada combinação irá resultar.

A mecânica das batalhas.

Quando você entra na TV é quando a ação do jogo começa. A TV é um portal para um mundo obscuro. Nele você encontra um estúdio, onde o assassino joga suas vítimas e grava seus segredos mais íntimos para mostrar no midnight channel. Se a vítima não for capaz de aceitar seus defeitos, sua persona escondida, ela morre. Seu papel é enfrentar essa persona e ajudar a vítima a se aceitar. Para isso você entra em uma “dungeon” que é a representação dos desejos mais ocultos da vítima. Nesta dungeon você enfrenta inimigos e encontra itens. Esses inimigos podem lhe render mais personas, itens e outras habilidades. De posse dessas Personas, você pode criar novas, mas para que isso seja feito vai precisar ter bons pontos nos seus Social Links, ou seja, em seus relacionamentos. As batalhas são de turno, ao melhor estilo Final Fantasy, porém, caso descubra a fraqueza de seu inimigo, usando o elemento ao qual ele é frágil, ele cai desacordado e a batalha está ganha. A diversão é descobrir cada fraqueza de cada inimigo e entrar nas batalhas investindo contra ela, fazendo as lutas contra inimigos teoricamente poderosos serem rápidas e fáceis. É claro que a reciproca é verdadeira: caso o inimigo use alguma habilidade que seja sua fraqueza, ele ganha dois turnos seguidos e vocês estará encrencado. Cada batalha vencida você adquire experiência e pode subir de level. Você tem HP e AP, que é usado para invocar Persona. Os personas podem usar magias ou ataques físicos. Tudo no melhor estilo JRPG.

A trilha sonora.

Aqui é outro quesito em que o jogo brilha. A trilha sonora é fenomenal. Composta de músicas ao estilo J-pop (cantadas em inglês na versão ocidental), ela é empolgante e deliciosa de ouvir. E nunca enjoa. Estou até escutando no celular, no caminho do trabalho rs. É impressionante o trabalho e o carinho que tiveram com as músicas do Persona 4. As letras das músicas, inclusive, estão relacionadas ao enredo do jogo. Obviamente elas possuem um apelo maior aos fãs de anime, mas não deixam de ser uma grata surpresa a qualquer que um queira abrir seus horizontes para novas experiências.

Um jogo quase perfeito.

Persona é um jogo quase perfeito. Suas falhas residem na mecânica de movimentação pouco polida, e talvez no fato de seus gráficos terem envelhecido mal. Podemos citar também a limitada liberdade de locomoção, que faz o jogo se aproximar mais de uma visual novel do que de um JRPG. Mas isso, para alguns, não vai parecer problema. Porém, o jogo oferece uma experiência fantástica de imersão. É incrível como o sistema de Social Link faz com que você invista nos personagens do jogo. Eles não são só aqueles NPCs que te indicam onde ir, ou agradecem quando você cumpre uma sidequest. Eles são seus amigos, e a maneira como você se relaciona com eles impactam na sua gameplay. Lembrando que você tem apenas um ano para ficar em Inaba, depois deverá voltar para sua cidade. Todas as risadas, as lágrimas, os gritos da Chie, o “I Love You” da Yukiko; todos os momentos felizes, todas as gargalhadas e confusões, tudo isso vai acabar. Não vai ter pós game. Todo o tempo que você investiu nesses maravilhosos personagens, e toda diversão que teve ao lado deles tem data certa para terminar. É como a vida não é? Aceitar a si mesmo e aos outros, formar boas amizades, bons romances; ter escolhas, salvar o mundo – e saber que tudo isso terá um fim! Um jogo assim que me faz acreditar que os vídeo games são sim, arte e podem nos ensinar muita coisa.

Renan, 34 anos com corpinho de 20. O cara mais bonito do site. Jogador veterano, amante de games Old School e Final Fantasy, trabalho nas horas vagas para poder comprar jogos.

Renan Melo

Renan, 34 anos com corpinho de 20. O cara mais bonito do site. Jogador veterano, amante de games Old School e Final Fantasy, trabalho nas horas vagas para poder comprar jogos.

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