Um Lugar Silencioso | Análise

Esse texto contém spoilers, então leia por sua conta em risco.

De um tempo para cá, venho desencanado com filmes de terror. Não sei se é por conta de parecer tudo tão bobo por conta da idade, ou por conta dos filmes em si. Por isso, acabei não animando tanto pra ver ‘Um Lugar Silencioso’ logo de cara. Após descobrir que ele era mais suspense que terror, me animei mais. Recebi uma dica incrível lendo sobre o filme, que foi: Veja no cinema. E eu assino em baixo. Esse filme perde muito da magia se não for assistido no cinema.

Após todos amarem seu personagem Jim Harper, em The Office, John Krasinski está na direção de ‘Um Lugar Silencioso’ e como Lee, o pai da família Abbot, protagonista do filme. O longa segue uma prática nem tão comum do cinema que é o silêncio em boa parte do filme, o que torna tudo mais imersivo e agoniante, bem parecido com o estilo de Gravidade (2013).

Resultado de imagem para a quiet place monster

O filme gira em torno de uma família inserida numa sociedade em alguns anos no futuro em que apareceram algumas criaturas (alienígenas, eu imagino) que são rápidas, fortes, intangíveis, porém cegas, e o único meio dessas criaturas acharem os humanos é pelo som. Essas criaturas possuem um ouvido SUPER aguçado que ouvem a grandes distancias o menor barulho.

Logo ao conhecermos os personagens, já notamos que eles já estão estabelecidos na cidade, totalmente adaptados. Conversando em libras entre si e caminhando sobre trilhas de areia.

Eu vou, eu vou, morrer agora eu vou...

Essa família, no inicio, é composta de cinco pessoas, o pai da família Lee (John Krasinski), a mãe amorosa e dedicada Evelyn (Emily Blunt), a adolescente rebelde que possui deficiência auditiva Regan (Millicent Simmonds), Marcus (Noah Jupe), o garoto frágil e outro filho do casal que não se sabe o nome, que é atacado logo no início do filme.

Resultado de imagem para um lugar silencioso

Sabemos mais sobre a história do local por meio de jornais e anotações de Lee, que possui rádios e câmeras de vigilância em sua “base”, tentando contato com outras pessoas via código Morse. Outro tipo de “comunicação” é com fogueiras no topo do milharal, onde toda noite ele sobe, junto com outras famílias. Isso serve mais para sinalizar que estão vivos e que não estão sozinhos. E para o espectador, funciona como uma construção do mundo, uma inserção maior na história daquele cenário proposto. Você se sente esperançoso junto com Lee quando outras fogueiras acendem.

Imagem relacionada

Com o passar do tempo, Evelyn engravida. Quando isso é mostrado, todos já ficam ‘Que lindo, que momento sublime. Só que como ela vai parir no silêncio absoluto? AI MEU DEUS E AGORA???’ já criando uma tensão desde que é apresentada a gravidez. Lee então coloca lâmpadas por todo o campo, que a qualquer sinal de perigo ou com a bolsa estourando, ela puxa uma alavanca e as luzes mudam para vermelho.

Resultado de imagem para um lugar silencioso

A poucos momentos de som abundante, onde o espectador pode soltar aquele ar preso durante todo o filme. Momentos em que ficamos felizes junto com os personagens. Quando Lee leva o filho para pescar e começa a gritar na cachoeira, e falar normalmente, nós rimos. Porque perto da cachoeira eles estão livres, podem falar e se comunicar. Outro momento, mas emocionante, é quando Lee está trabalhando na sua base e sua mulher chega no maior clima de romance e ambos dançam com fone de ouvido.

Temos durante o filme a angustia da Regan. Pois além dela se culpar pela morte do irmão no início do filme, ela é deficiente auditiva. O que é trabalhado maravilhosamente no filme, pois todo close de câmera nela, o som some por completo. Não havendo nem o som ambiente do vento e pássaros.

Resultado de imagem para um lugar silencioso

Nesse filme, menos é mais. Pois estamos tão acostumados a ouvir e falar que não paramos para pensar na falta que faz. A falta de som no filme o torna angustiante, chegando a ser até claustrofóbico, porém único. Temos poucos filmes que o silêncio é utilizado em boa parte do filme e de maneira tão bem feita. Podendo fazer um paralelo com o livro e filme “Ensaio sobre a cegueira”, onde todos ficam cegos de repente. Perdemos algo básico que não damos durante a vida, no livro a visão e no filme, a fala e a liberdade. Tornando assim em um mundo sombrio, onde  a capacidade primordial do ser humano, a comunicação, um inimigo. Apesar de não haver nada que remeta a nostalgia, se passando até no futuro, você consegue ver semelhanças a Stranger Things.

23 anos, publiciotário, gamer desde os 4 anos de idade e consumidor voraz de cultura pop. Youtube e Netflix são minhas TVs.

Miguel Moreira

23 anos, publiciotário, gamer desde os 4 anos de idade e consumidor voraz de cultura pop. Youtube e Netflix são minhas TVs.

%d blogueiros gostam disto: