A Nintendo venceu mais uma vez!

Eu nunca fui um grande fã da gigante nipônica dos vídeo-games, apesar disso a empresa vem me surpreendendo cada vez mais com seus produtos e jogos, e sua insistência em trabalhar do jeito que acredita. Cresci com consoles da Sega e da Sony – nunca vi muita graça nos jogos do NES, e olhava com desdém e certa curiosidade para as capinhas dos jogos dele nas locadoras. Com a chegada do Super Nintendo, meu descaso com a empresa apenas aumentou: seu apelo ao público infantil e jogos lúdicos apenas me causava repulsa! Me sentia seguro com jogos descolados como Sonic e Street of Rage. Porém a curiosidade permanecia: por que tanta gente gosta desse console? Por que é tão popular?

 

Meu desembarque no mundo da Big N foi na era do 3DS, resultado de um sentimento de saturação de jogos realistas junto a nostalgia que sentia ao ver os jogos de plataforma que pipocavam no console da gigante japonesa. Tive uma ótima experiência com títulos como Zelda Ocarina of Time 3D, Majora’s Mask 3D, DK Returns e Mario 3D Land. Apesar dessas grandes jogatinas, nunca consegui gostar muito da franquia Pokémon e nem entender o culto que envolvia a franquia. Mas segui firme no propósito, desfrutando de muitos jogos do portátil até aterrissar no mundo do WiiU. De lá pra cá foi uma relação de amor e ódio: amor pelos jogos e experiências que eles proporcionavam, ódio por algumas atitudes e posições da empresa e da estupidez e falta de maturidade geral da comunidade de fãs brasileiros (não todos, lógico).

Esses altos e baixos me fizeram desfazer de alguns jogos e consoles, para, mesmo assim, compra-los novamente depois. Nunca consegui me afastar 100%. A Nintendo tem uma mágica viciante em sua simplicidade e perfeccionismo. Longe da megalomania cinematográfica dos grandes títulos de outras empresas, a Nintendo se manteve presa a uma tradição que fazia parecer que suas franquias haviam parado no tempo. Porém, observando atentamente, percebe-se que não é esse o caso! O que temos aqui não é uma empresa que parou no tempo, mas sim uma empresa que insiste em fazer as coisas do jeito dela, jogar com suas próprias regras. E mais uma vez, quando todo o mercado apontava para o fim dos consoles, o domínio do PC e dos exuberantes gráficos 4k 60fps, ela me aparece com seu console híbrido.

Como não se encantar com seu hardware (como sempre) inferior ao da concorrência que resolveu tocar o foda-se para o 4k e o fotorrealismo cinematográfico em prol de uma experiência gostosa e gratificante e, diga-se de passagem, simples? Contra todos os vaticínios (inclusive meus), o Nintendo Switch está vendendo horrores, e já é o hardware de vídeo game que vendeu mais rápido em um curto espaço de tempo. O game concorre para passar as vendas do PS4 e a casa do Mario está nadando nos dólares. Eu que imaginava que o “Switão da Massa” não passaria de um console de nicho, venho mordendo a língua a cada crítica que faço. Inclusive meu Resident Evil 2 está parado com a Claire quase no final enquanto não termino o Legend of Zelda Breath of the Wild.

O que será que aconteceu? Por que tanta gente pira em jogos coloridos e fofinho como Pokémon e Yoshi, que mantém o mesmo “core” de 20, 30 anos atrás? Como essas franquias conseguem ser tão populares frente a matadores como Call of Duty e Red Dead Redemption, que podem ser jogados em TVs 4K de 60 polegadas em aterradores sons Home Theather?

Lembro que uma vez comentei minha sensação de abrir a caixa do WiiU comparado com o “unboxing” do PS4. Lembro de ter comentado que, enquanto um me passava a sensação de um aparelho de primeira linha, o outro me passava a sensação de um brinquedo que eu havia acabado de ganhar. Sempre quando abro a caixa de algum console da Nintendo, tenho essa sensação. Lógico, os jogos possuem uma qualidade excepcional, sempre sendo moldados com muito zelo e qualidade. E esse, acredito, é o carro chefe que direcionam as vendas dos consoles. Porém, a sensação de conforto de um lugar conhecido que remete à infância é outro grande trunfo da empresa. Com altos e baixos, trancos e barrancos, a Big N mantém a mesma fórmula de fazer jogos e consoles, e não arreda o pé da sua visão de negócios. Apesar de várias críticas a empresa (não investir em nossa terra sofrida é a maior delas), admiro a empresa por conta dessa postura. Ela não segue tendências de mercado, não segue o fluxo. Ela faz suas próprias regras, e quando não dá certo, tenta de novo.

Sempre bati na tecla da falta de enredos complexos e personagens profundos nas franquias da Nintendo, recebendo o contrargumento mais usado pelos nintendistas como resposta: Vá assistir a um filme, ou ler um livro. Talvez esteja na hora de eu começar a assistir a alguns bons filmes e principalmente ler alguns bons livros e deixar para os vide-games o que eles realmente são: jogos.

Renan Melo

Renan, 34 anos com corpinho de 20. O cara mais bonito do site. Jogador veterano, amante de games Old School e Final Fantasy, trabalho nas horas vagas para poder comprar jogos.

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